Partido


Uma menina de 3 anos pediu-me para ver meu dedo partido. Eu mostrei-lhe e depois e olhar com atenção, ela disse, "oh, ainda está partido!" Na altura achei engraçado, mas quanto mais eu penso nisso, mais eu percebo que o seu ponto de vista é mais generalizado. Não fazemos o mesmo na nossa vida? Não esperamos que tudo seja arranjado, curado, que desapareça, que volte ao "normal" de novo? O que aconteceria se nós soubessemos que o que foi partido (o que quer que seja), muito provavelmente irá manter uma espécie de cicatriz, uma marca?

Pare por um instante e pergunte-se:

1 O que aconteceria se eu soubesse que meu coração partido, vai manter algum tipo de cicatriz?

2 Onde é que eu tenho cicatrizes que eu esperava que tivessem desaparecido?

Sim, fisicamente, é possível disfarçá-las, amaciá-las, cobri-las. Mas a pele não pode tudo.

E emocionalmente? Alguma vez teve o coração “partido”? Dizemos tantas vezes cortou-me o coração… fiquei de coração partido… Que cicatrizes carrega em si? Tem expetativas que o seu coração volte a ser o que era? Ainda se espanta; "Oh, ainda está partido!" Não da mesma forma, é claro, mas sabe que nunca vai ser com era.

Meu dedo já não apresenta uma fratura exposta, foi colado e cosido, a unha voltou a crescer. É o dedo o mesmo que era antes de o partir? Não! Está ligeiramente torto, tem uma cicatriz, tem uma sensibilidade diferente, ele arrepanha com alguns movimentos ... sinto-o de forma muito diferente.

As cicatrizes não reconhecidos desencadeiam reações em nós. E na maioria das situações nem sequer reconhecemos essas cicatrizes como as verdadeiras fontes das nossas reações.

Pare por um momento, e faça um levantamento das suas cicatrizes. Reconheça-as. Reconheç onde e quando são essas cicatrizes que reagem. São as suas cicatrizes e não a situação em si. Basta olhar um pouco mais de perto.

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