Ada, uma lição em relacionamentos


Aqui está a Ada, uma gata de 18 anos que me ensinou o que faz os relacionamentos com amor falharem. Ada aproxima-se de mim com curiosidade e cautela. Eu estendo a mão lentamente, para ela a cheirar. Ela aproxima-se tocando-a com a cabeça. Eu vejo isso como permissão para fazer-lhe uma festa gentilmente. Ela fica por instantes, mas sai, voltando-se para trás para olhar para mim, como se estivesse a ver se eu ainda estou atenta e interessada. Garanto-lhe que ainda estou, estendendo a minha mão de novo. Ela explora os outros humanos presentes e volta para mim, nós voltamos a fazer a dança. Eu falo com ela, ela olha em sentido contrario como se estivesse a dizer; "Eu não estou interessada em discutir o que é obviamente uma decisão minha." Eu sinalizo que aceito as condições e faço um gesto para pegar nela (a Ada já não consegue saltar), e coloco-a no meu colo. Ela olha-me nos olhos e começa a ronronar enquanto a acaricio. Ela descansa a cabeça na minha mão e adormece. As minhas pernas ficam dormentes, mas eu não me mexo, não quero arriscar acordá-la e vê-la partir. Claro que ela o faz eventualmente. Tudo tem um fim.

O outro lado dessa interação, sou eu, no começo eu sou apenas eu. Estou apenas apreciar o momento, a interação, respeitando o que sei sobre gatos e sobre a Ada, estou atenta e consciente. Nestes anos em que a conheço, ela nunca se deitou no meu colo. Ela chegou perto, interagiu, tocou e chamou-me a atenção, ela andou em cima de mim, provocou-me com a sua cauda, ​​deu-me cabeçadas, esfregou-se nas minhas pernas, deitou-se ao meu lado, mas nunca ficou muito tempo. Na minha mente, os pensamentos começam a mil à procura de significados. Porquê agora, o que é que é diferente em mim ou nela? Crenças que dizem que os gatos sabem diferenciar as pessoas boas das menos boas… As minhas experiências passadas, o meu primeiro gato, outros animais de estimação, o meu sentido de identidade, tudo está presente. Eu sinto-a ronronar e agradeço por estar a receber. Sinto-me bem, a recarregar e a minha existência aceite totalmente. Esta conexão lembra-me o que é sentir-me conectada. Essa sensação é o que impulsiona o desejo de fazer esse momento durar. Eu quero saber o segredo para que isso aconteça novamente ... E é aqui que eu deixo de estar presente. Quando eu quero fazer algo para além do que isto é aqui e agora. A tirania da ilusão da permanência destrói tudo.

Nós não fomos ensinados a estar presentes, (em relacionamentos, nem na vida), a sermos nós mesmos, e a estar no nosso poder. Começamos a trabalhar para essa terceira entidade, o relacionamento. Sob expectativas irrealistas, queremos reproduzir como nos sentimos. Torna-se uma coisa a ter, uma competição, uma meta, uma identidade de quem somos. Como se esse relacionamento pudesse dar-nos sentido/significado. Nós começamos a trabalhar para que isso aconteça, sonhamos em ver o relacionamento crescer e florir e assim, as nossas emoções são apanhadas como peixes enrolados em redes de pesca apertadas. No processo, esquecemos quem somos, do que somos feitos, do que realmente acreditamos e por que estamos aqui em primeiro lugar. Paramos de ver o outro como o outro e, pior ainda, parece que também esquecemos a verdadeira natureza do outro. Esta é a razão principal pela qual os relacionamentos com amor acabam. Nós fazemos check-out!

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